Por que as grandes empresas de tecnologia estão de olho no Brasil para inteligência artificial
O Congresso aprovou, na primeira semana de setembro, o Redata, regime tributário que suspende impostos federais como Imposto de Importação, IPI e PIS/Cofins para empresas que instalam ou ampliam data centers no país, com foco explícito em projetos de nuvem e inteligência artificial. No momento em que escrevemos, o texto aguarda sanção presidencial, mas o desenho já está definido: a renúncia fiscal deve chegar a R$ 5,2 bilhões neste primeiro ano, condicionada a contrapartidas como uso de energia renovável ou de baixa emissão.
O detalhe mais revelador não é o incentivo em si, é a pressa do Congresso em aprová-lo. O projeto ficou travado por meses e voltou à pauta como prioridade depois de meses de pressão de empresas e associações do setor, sinal de que o Brasil corre risco real de ficar fora de um ciclo de investimento que já soma centenas de bilhões de dólares globalmente em capacidade de processamento para inteligência artificial.
Para nós, essa corrida por infraestrutura de IA interessa menos pelo lado das big techs, que vão instalar seus data centers onde quer que a conta feche, e mais pelo efeito que isso gera ao redor. Cada novo data center de grande porte movimenta contratos de energia de longo prazo, demanda por terrenos específicos, obras de infraestrutura elétrica e uma cadeia de serviços técnicos especializados que, no Brasil, ainda tem oferta limitada.
Achamos que a oportunidade real para investidores e empreendedores brasileiros não está em competir com os hyperscalers, está em posicionar negócios na cadeia de fornecimento desse movimento: geração de energia renovável dedicada, construção especializada, manutenção de infraestrutura crítica e serviços de engenharia. São nichos menos disputados, com barreira de entrada técnica real, e que crescem independentemente de qual empresa de tecnologia acabe vencendo a corrida por inteligência artificial.
O Redata é uma peça de política pública, mas o recado para quem empreende é mais simples: quando um governo historicamente lento aprova uma pauta técnica em tempo recorde, vale prestar atenção em qual setor ele está sinalizando como prioridade para os próximos anos.


