Por que a maioria das empresas familiares não sobrevive à terceira geração
No Brasil, nove em cada dez empresas têm perfil familiar. Juntas, respondem por cerca de 65% do PIB nacional e empregam 75% da força de trabalho, segundo dados do IBGE e do Sebrae. É uma das estruturas mais dominantes da economia brasileira, e também uma das mais frágeis ao longo do tempo: segundo o Índice Global de Empresas Familiares, da PwC, apenas 36% dessas empresas sobrevivem à passagem para a segunda geração. O número cai para 19% na terceira geração e para 7% na quarta.
A causa mais citada não é falta de competência técnica, é ausência de estrutura de governança. Levantamentos do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa mostram que a maioria das empresas familiares brasileiras não tem um plano de sucessão formal para os cargos-chave, o que transforma um evento previsível, a saída do fundador, em uma crise não planejada.
Nós vemos esse padrão se repetir com frequência: negócios que cresceram de forma sólida sob a liderança de uma pessoa ou de um núcleo familiar restrito, mas que nunca separaram claramente propriedade de gestão. Enquanto o fundador está à frente, essa ambiguidade não custa nada. No momento da sucessão, ela custa caro, seja em disputa entre herdeiros, seja na dificuldade de atrair um executivo profissional disposto a operar sem clareza sobre quem manda em quê.
O dado que costuma surpreender é o efeito da profissionalização. Empresas familiares que adotam um conselho de administração estruturado aumentam em até 45% sua expectativa de longevidade, segundo a mesma pesquisa da PwC. Não é o capital que falta para essas empresas atravessarem gerações, é a decisão de tratar governança como parte do negócio, não como luxo para quando a empresa já for grande o suficiente.
Para nós, o momento certo de estruturar sucessão não é quando ela se torna urgente, é quando ainda parece cedo demais para pensar nisso. Toda holding patrimonial, toda estrutura de investimento de longo prazo, carrega essa mesma lógica: o valor que se constrói ao longo de uma geração só vira legado se existir estrutura pronta para atravessar a próxima.


