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Depois da Europa, o Canadá: o que a expansão de acordos do Mercosul muda para quem exporta

13 de ago.
2 min de leitura

Em janeiro, a União Europeia aprovou, depois de 25 anos de negociação, o acordo comercial com o Mercosul, que passou a valer provisoriamente em maio enquanto aguarda ratificação final dos países-membros europeus. Menos de um ano depois, o bloco sul-americano já negocia um segundo acordo relevante, agora com o Canadá, com cerca de 60% do texto concluído e expectativa declarada por Ottawa de fechar o entendimento ainda em 2026.


A motivação canadense é explícita. A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, afirmou que o país quer dobrar seus acordos comerciais fora dos Estados Unidos nas próximas décadas, movimento que ganhou urgência depois da escalada tarifária promovida por Washington em 2025 e 2026. O comércio de bens entre Mercosul e Canadá somou US$ 12,6 bilhões em 2025, o maior valor da série recente, mas ainda distante do potencial que analistas atribuem a uma relação sem barreiras tarifárias.


Para empresas brasileiras, o movimento importa menos pelo tamanho imediato do mercado canadense e mais pelo padrão que revela. O Brasil também negocia, no âmbito do Mercosul, entendimentos com Indonésia, Vietnã, Índia, México e Emirados Árabes. Cada novo acordo fechado reduz a dependência relativa de qualquer parceiro único, incluindo os Estados Unidos, cuja participação no comércio exterior brasileiro já caiu ao menor nível da história em 2026.


Esse tipo de diversificação institucional tem um efeito prático que vai além da pauta de exportação. Empresas que vendem para mercados cobertos por acordos comerciais operam com regras de origem mais previsíveis, menor exposição a sobretaxas unilaterais e acesso mais estável a compras públicas e serviços financeiros nesses países. É um tipo de proteção que não aparece no balanço trimestral, mas reduz a volatilidade do negócio ao longo de ciclos políticos e comerciais mais turbulentos, como o que o Brasil atravessou nos últimos dois anos.


O calendário de ratificação, tanto do acordo com a União Europeia quanto do futuro texto com o Canadá, ainda depende de aprovações internas em cada bloco, o que costuma levar mais tempo do que o anunciado nas rodadas de negociação. Para empresas que dependem de comércio internacional, a lição prática é acompanhar de perto os capítulos setoriais desses acordos, sobretudo regras de origem e barreiras sanitárias, e não esperar a ratificação final para começar a estruturar relações comerciais nesses novos mercados.

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