Flash Norvia | Julho
O Flash Norvia de julho reúne os principais movimentos em comércio exterior, tecnologia, mercado de capitais e geopolítica. A edição destaca como tarifas, investimento em inteligência artificial, reabertura da bolsa e diversificação comercial moldaram as decisões de empresas e investidores ao longo do mês.
Tarifas dos Estados Unidos confirmadas, com lista de exceções ampliada. Depois de meses de negociação, o governo americano confirmou, em 15 de julho, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, em vigor desde o dia 22. A versão final excluiu mais de 2.100 produtos da sobretaxa, incluindo café, carne bovina, suco de laranja e peças aeroespaciais. O episódio reforçou um movimento que já estava em curso: a participação americana no comércio exterior brasileiro caiu a 11,2% nos cinco primeiros meses do ano, o menor nível já registrado.
A conta da inteligência artificial cresce, e o mercado passa a cobrar retorno. O capex das maiores operadoras de data center do mundo deve somar US$ 750 bilhões em 2026. A Meta revisou o orçamento de um único projeto de US$ 27 bilhões para mais de US$ 50 bilhões, mas viu o valor de mercado cair após os últimos resultados, assim como outras hyperscalers. A resposta corporativa mais recente é revender capacidade computacional ociosa, sinal de que a disciplina de retorno chegou ao setor.
Bolsa brasileira testa reabertura seletiva. O IPO da Compass, em maio, encerrou quase cinco anos de jejum na B3. Mais de 50 empresas já têm registro ativo na CVM, mas o calendário eleitoral deve manter a maioria delas esperando até 2027. A estrutura 100% secundária da oferta e a forte adesão estrangeira mostram um apetite por risco que existe, mas voltou mais seletivo.
Diversificação comercial ganha tração. Enquanto a relação com os Estados Unidos fica mais tensa, o Mercosul avança em outras frentes. O acordo com a União Europeia, aprovado em janeiro, passou a valer provisoriamente em maio. As negociações com o Canadá já têm 60% do texto concluído, com Ottawa buscando fechar o acordo ainda em 2026.
Alívio geopolítico ajuda a conter a inflação global. O possível fim do conflito no Oriente Médio devolveu os preços do petróleo a níveis próximos aos observados antes da guerra, aliviando parte da pressão sobre os índices de preços no mundo e melhorando as expectativas de inflação no curto prazo.
O que segue em pauta para agosto. A decisão do Copom desta semana, com a Selic saindo de 14,25%, deve confirmar a continuidade do ciclo de corte de juros. O avanço do acordo Mercosul-Canadá e a evolução da tarifa americana continuam no radar, assim como o comportamento do mercado de capitais brasileiro diante do calendário eleitoral de 2026.


