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A bolsa volta a respirar: o que o IPO da Compass diz sobre o mercado de capitais brasileiro

30 de jul.
2 min de leitura

Depois de quase cinco anos sem uma oferta pública inicial de ações na B3, a Compass, empresa de gás natural do grupo Cosan, tocou o sino da bolsa brasileira em maio, captando R$ 3,2 bilhões e encerrando o mais longo jejum de IPOs da história recente do país. O último IPO antes dela havia ocorrido em 2021.


O formato da operação, porém, diz tanto quanto o valor captado. A oferta foi inteiramente secundária, ou seja, nenhum recurso novo entrou no caixa da companhia, apenas acionistas existentes venderam parte de suas posições. Esse tipo de estrutura costuma ser recebido com desconfiança pelo mercado, exceto em casos de privatização ou de empresas com fundamentos muito sólidos. A adesão forte de investidores estrangeiros à operação da Compass é o dado que analistas de mercado mais destacam como sinal de reabertura, ainda que seletiva, do apetite por risco no Brasil.


Mais de 50 empresas já têm registro ativo na Comissão de Valores Mobiliários e estão tecnicamente prontas para lançar uma oferta, segundo a própria B3. O obstáculo não é regulatório, é de calendário. Ano de eleição presidencial no Brasil costuma travar decisões de abertura de capital, e 2026 não foge à regra: a maioria das empresas prontas para o mercado deve esperar a definição do quadro eleitoral antes de avançar.


Some-se a isso o nível ainda elevado da Selic, que mantém a renda fixa como opção mais competitiva para boa parte dos investidores locais, e o quadro que emerge é de uma janela entreaberta, não de um boom. Bancos de investimento que atuam no Brasil já indicam que a retomada, quando vier, deve priorizar setores de infraestrutura e empresas de maior porte, com histórias de crescimento sólidas o suficiente para atrair liquidez no mercado secundário, e não qualquer oferta.


Para empresas que avaliam abrir capital nos próximos anos, o recado prático é usar esse período de compasso de espera para consolidar governança e disciplina financeira, e não para acelerar prazos. O mercado já demonstrou, no ciclo de 2020 e 2021, o custo de ofertas apressadas com valuations descolados da realidade. Quem chegar organizado à próxima janela, seja ela em 2027 ou depois das eleições, deve competir por uma fatia maior da atenção de investidores que, como mostra o caso Compass, não desapareceram: apenas ficaram mais seletivos.

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